Ilíada e Odisséia, poemas em 24 cantos, são os primeiros grandes textos épicos ocidentais. Servem de modelo para outros poemas épicos posteriores, imortalizando Homero.

No século VI a.C., as obras passaram da forma oral para a escrita. Supõe-se que a Odisséia foi precedida pela Ilíada em 50 anos.Essas obras contêm os mais antigos escritos gregos de que se tem conhecimento.

Enquanto na Ilíada o poeta fala das paixões e dos combates de Tróia, na Odisséia trata das fantásticas passagens de percurso de Ulisses de retorno para casa.

O primeiro registro escrito que temos da Grécia é a Ilíada, daí sua importância cultural e histórica. A Odisséia é muito mais real e próxima do mundo que a Ilíada. Seu herói é muito mais humano. Mas isso não significa que a ele não se aplique o fantástico.

Homero nas obras

A mitologia grega começa com Homero. Nos poemas, ele tem toda liberdade de interromper a narração e tomar novo rumo.

O autor se mostra presente em suas obras, mas, claramente como um mero narrador. Porém, interrompe a narrativa para intercalar uma observação ou um pedido dos céus.

A distância mantida por Homero em suas obras pode diminuir, porém jamais deixa de existir.

Por escrever sobre um tempo passado, o autor designa para as personagens características que as marcam por toda a vida - epítetos.

Ilíada

É chamada de Bíblia da antiga Grécia. O assunto tratado na obra é a luta entre gregos e troianos - a chamada Guerra de Tróia. Entretanto, a história começa quando já se passaram 9 anos de batalha.

Tal batalha, teve como motivo o rapto, pelos troianos, da esposa de um importante rei grego - Menelau. Páris, raptou a bela Helena e a levou para seu castelo em Tróia. Mas a verdadeira causa do conflito foi a ira de Aquiles, ofendido por Agamenon.

A ira de Aquiles (semideus e herói belicoso) divide-se em dois momentos:

O final da batalha é a morte do nobre guerreiro troiano Heitor pelas mãos de Aquiles, e a tomada da cidade de Ílion e Helena.

Os deuses na Ilíada são ativos participantes e peças cruciais da obra.

A Ilíada, por retratar uma guerra violenta, tem várias passagens sangrentas, e até dizem que por isso não é uma leitura feminina. Nesta obra, entretanto, a guerra é associada a reflexões sobre a vida do homem em relação com a dos deuses.

Odisséia

Vem de Odysseus - herói grego, rei de Ítaca, que os latinos chamam de Ulixes, donde Ulisses.

Há três divisões na Odisséia (implícitas):

Telemaquia - trata de Telêmaco, filho de Ulisses e Penélope. Abrange os cantos I a IV, onde Ulisses não aparece, são feitas alusões à sua ausência, pois deixara Ítaca para ir à Guerra de Tróia que já acabara há 10 anos. Telêmaco quer ir buscá-lo, mas antes deve lutar contra os pretendentes à mão de sua mãe.

Narrativa na casa de Alcino - compreende os cantos V a XIII. Aqui conhecemos Ulisses e suas aventuras que ele enumera contando que perdeu o rumo quando voltava para casa, ficando a vagar pelo mar. Além disso foi ele retardado por fantásticos acontecimentos.

Vingança de Ulisses - volta o herói, após 20 anos, disfarçado de mendigo e mistura-se ao povo. Aos poucos, deixa-se identificar e extermina os pretendentes de Penélope, reassumindo, então, seu reino.

A segunda parte é a mais importante, pois resume o principal da ação contida na obra.

O herói Ulisses defronta-se com peripécias sobre-humanas e a tudo supera; isso se inscreve na esfera do impossível. Entretanto, os meios que usa são humanos.

Conclusões finais

As condições sociais do período homérico geraram um herói como Ulisses. Existia interesse em glorificar o homem: a poesia seria épica, gloriosa, grandiloqüente; mas o herói seria humano, embora os deuses contribuíssem para sua integridade física. A conjuntura social que o poema reflete é exatamente essa, embora a ação se desenrole em um passado remoto, a Guerra de Tróia, no século XIII a.C.

A Ilíada e a Odisséia foram por muito tempo os mananciais da cultura ocidental. Na segunda década do século XX, a Odisséia de Homero inspirou uma outra, a do homem moderno: a obra de James Joyce, Ulisses, um dos livros mais polêmicos do nosso tempo.