Romantismo - Transição para o Realismo

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Realismo no Brasil - transição por Machado de Assis
Machado de Assis - elemento de transição

Este movimento é iniciado, no Brasil, pelos escritores sertanistas românticos e pela poesia social de Castro Alves e Sousândrade. Estes apresentavam produções bastante próximas dos pressupostos estéticos e ideológicos do Realismo que dão origem à literatura realista brasileira.

O período de dominância da literatura realista-naturalista iniciou-se com a publicação do primeiro romance realista: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis, e do primeiro romance naturalista, O Mulato, de Aluísio Azevedo em 1902. Com a publicação de Canaã, de Graça Aranha, ocorreram rupturas com os padrões do Naturalismo. No final do séc XIX, o declínio do Realismo-Naturalismo chega fazendo com que outras influências ganhem importância no meio artístico.

Machado começa a trabalhar corrigindo originais, revendo textos e vendendo livros, mais tarde, colaborou assiduamente em jornais e revistas com contos, crônicas, críticas teatrais e comentários políticos. Em 1867 ingressa no funcionalismo, permanecendo até o fim de sua vida nesse setor, chegando ao cargo de Diretor da Secretaria Ministerial da Viação. No mesmo ano, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.

Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1897, recebe o título de presidente perpétuo desta instituição. Morre em 1908, consagrado e rodeado de amigos.

Dedicatória do seu livro Relíquias da Casa Velha (1906) uma homenagem à companheira com o soneto:

À Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas desta longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.
Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos mal feridos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

A grande fase que se inicia com Memórias Póstumas de Brás Cubas, romance que inaugura fase Realista de Machado de Assis, é considerada a 1ª fase da obra machadiana.

[Nota] Observação

A obra machadiana, pelo caráter universal que assume, independentemente do tempo e do espaço, requer uma classificação mais apurada e refletida. Vale notar que todo grande escritor transborda, por assim dizer, a escola literária na qual é didaticamente inserido, sendo passível de outras leituras.

Características principais:

  • Humor e ironia, uso da função metalingüística: quando das interrupções do narrador para uma conversa com o leitor e quando das disgressões sobre variados assuntos.

  • Pessimismo niilista: influência de Shopenhauer (Filos. Doutrina segundo a qual nada existe de absoluto)

  • Tema da miséria humana (egoísmo, adultério, corrupção, interesse, etc.

    "[O homem] é uma errata pensante... Cada estação da vida é uma edição que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."

  • Universalismo: os temas abordados por Machado independem do tempo e do espaço porque se constituem em atitude essencialmente humanas.

Análise psicológica das personagens: metalinguagem, tema da miséria humana, ironia e sutileza acabam por aprofundar personagens cíclicas e complexas que o autor cria com habilidade e grandiosidade. Por tudo isso, Machado de Assis é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa.

Segundo Alfredo Bosi: "O ponto mais alto e mais equilibrado da prosa realista brasileira acha-se na ficção de Machado de Assis."

Obras Machadianas:

  • Romance: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908)

  • Conto: Contos Fluminenses (1870), Histórias da Meia-Noite (1873), Papéis Avulsos (1872), Histórias Sem Data (1884), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), Relíquias da Casa Velha (1906)

  • Teatro: Queda que as Mulheres têm pelos Tolos (1861), Desencanto (1861), Quase Ministro (1864), Os Deuses de Casaca (1866), Tu, só tu, puro Amor (1881)

  • Poesia: Crisálidas (1864), Felenas (1870), Americanas (1875)

  • Crônicas

  • Críticas Literárias

  • Críticas Teatrais


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